À conversa com o enólogo

Chegou ao mundo dos vinhos em 2005 pela mão de Anselmo Mendes e à Morais Rocha Wines em 2010. Hoje, Diogo da Fonseca Lopes é já um dos mais importantes enólogos do presente e do futuro em Portugal, razão mais do que suficiente para uma conversa sobre si, o seu percurso e claro está, os vinhos da sua vida.

– Como é que surge a enologia na sua vida?

Vem da influência dos meus avós. Tive uma infância com uma base rural muito forte. Muitas das minhas memórias mais felizes foram passadas nas vinhas dos meus avós, a vindima foi sempre uma festa e o meu avô tinha muito orgulho e brio na cultura da vinha. A escolha em ir para Agronomia teve necessariamente a ver com esta influência.

– Durante o seu percurso académico, esteve em Napa Valley, Califórnia. O que mais o marcou nessa experiência e quais os principais ensinamentos que trouxe de lá?

Foi uma experiência fantástica. Napa tem um ritmo muito próprio, nunca encontrei outra região com tanto dinamismo. Acho que o mais importante foi apreender a olhar para este mundo como um negócio. Eles são extraordinariamente profissionais.

– Consegue beber um vinho sem estar na pele de um enólogo?

Acho que não consigo. Quando provo estou sempre a analisar o vinho antes de o começar a desfrutar. Não consigo abstratir-me disso.

– O que procura num vinho?

Hoje em dia procuro fundamentalmente originalidade. Gosto de vinhos que respeitem os terroirs e que transmitam carácter.

– Qual o momento chave na criação de um novo vinho?

A plantação das vinhas e selecção de castas. É o elemento mais importante no desenho de um vinho. Depois há que perceber qual o mercado onde queremos vender o vinho e fazer a identificação do público-alvo.

– Colabora com a Morais Rocha Wines desde 2010. Lembra-se de com começou essa colaboração?

tratada9.jpg

Começou em jeito de desafio pelo Engº Morais Rocha, para o ajudar a potenciar a qualidade dos vinhos. Almoçámos num restaurante em Lisboa e acho que criámos muita empatia um pelo outro.

– O que é que a Vidigueira tem de tão especial?

Um conjunto de factores: a influência da Serra de Portel, os solos argilo-calcários, as castas regionais. Também o ser uma terra de vinho, com gente do vinho. Ajuda muito, pois “respira-se” vinho nas pessoas.

– Aproxima-se a vindima. Quais as expectativas para os vinhos Morais Rocha em 2017?

Objectivamente não tenho grandes expectativas para este ano. Foi um ano muito irregular no ciclo vegetativo com uma distribuição muito irregular da água das chuvas. Acho que foi dos anos onde os fenómenos do El Niño mais se fizeram sentir e tenho algum receio que possamos vir a ter muita chuva na vindima. Mas naturalmente são nestes anos que os enólogos têm de mostrar trabalho! Aqui estamos para fazer o melhor.

– Como é a sua relação com a Ana Rocha, a general manager da Morais Rocha Wines?

Acho que funcionamos muito bem em equipa. É importante num projecto destes que o técnico e a gestão da empresa estejam muito bem ligados para que a mensagem seja forte. Trabalhamos com proximidade e ajudamo-nos mutuamente a tomar as decisões.

– Qual a combinação de castas que mais aprecia?

Para brancos gosto muito de lotes onde o Arinto seja a casta dominadora. Depois com o Verdelho acho que os vinhos ficam muito vibrantes e frescos. Nos tintos gosto muito de combinar o Alicante Bouschet, o Cabernet Sauvignon, o Syrah e o Aragonez.

– O que é um grande vinho?

Um grande vinho é um vinho que nos surpreenda e que nos encha as medidas. Tem muito a ver com o momento quando se bebe o vinho e todo o ambiente à volta do mesmo.

– Quais as suas grandes paixões para lá do vinho?

Gosto muito de estar à mesa com os amigos e família. Somos um povo em que os grandes momentos das nossas vidas são normalmente celebrações à volta dos tachos e com uns copos de vinho. Sou fiel a essa tradição, não a troco por outra. A gastronomia será uma das minhas paixões, mas só quando ligada à família e aos amigos.

– É verdade que foi jogador de Futebol Americano?

Sim é verdade. Adoro fazer desporto, pena que a disponibilidade não seja maior. Tenho uma grande admiração pelos desportos de origem norte-americana, principalmente o Futebol Americano. Sigo todos os anos a época da NFL (National Football League) e em Portugal joguei durante 5 anos. Foram uns belos anos, fiz muitos amigos e diverti-me imenso. Ajudei a criar uma nova equipa, os Lisboa Devils, que no ano passado foram campeões nacionais. Fui capitão de equipa nos primeiros anos e um mediano linebacker, mas adorei!

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s